A energia elétrica tem a particularidade de necessitar de um ajuste permanente e instantâneo entre a produção e o consumo. Historicamente o parque produtor tinha flexibilidade suficiente para se conseguir esse equilíbrio com alguma facilidade. A produção eólica e principalmente solar vieram trazer uma fonte muito variável e de difícil controlo. Com o seu aumento, torna-se mais difícil fechar esse balanço. O apagão de abril 2025 parece ter sido a consequência de uma falha nessa gestão.
No entanto, nos períodos com excesso de produção e quando há
energia a ser oferecida a custo zero e mesmo marginalmente abaixo de zero, os
consumidores domésticos estão num tarifário de “pico” e a restringir o consumo.
Há aqui algo que não faz sentido, já que os esquemas tarifários continuam a ser
os herdados de outro século e de outra realidade.
Se as grandes empresas podem gerir dinamicamente o seu
consumo e a sua fatura em função do preço real, seria lógico que a nível
doméstico se criassem mecanismos e tarifas dinâmicas para que equipamentos
tolerantes à intermitência como aquecimentos de água, climatizações e carga de
veículos elétricos, por exemplo, pudessem estar informados e reagir
automaticamente, aproveitando esses períodos de excesso de produção e esses
preços baixos.
Comportaria alguns desafios técnicos e regulamentares (e de
contra lóbi), se bem que a dificuldade não estará ao nível de um projeto
Artemis. Permitira os produtores serem melhor remunerados, os consumidores
pagarem menos e os reguladores terem uma dimensão de controlo adicional.
O que não faz sentido é estarem os consumidores a travarem
consumos, porque o custo da energia é alto quando o sistema rebenta pelas
costuras com excesso de oferta e são travadas e desperdiçadas capacidades de
produção renováveis.


Sem comentários:
Enviar um comentário