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25 setembro 2018

Andamos para trás?


O senhor reproduzido nesta fotografia, créditos abaixo, é considerado pelos especialistas ter possuído uma das mais fantásticas vozes de sempre. Pela sua imagem e prática foi assumidamente homossexual, com as minhas desculpas para a eventualidade desta expressão não ser atualmente a mais politicamente correta.

Na avaliação e discussão do valor de Freddy Mercury como artista, sinceramente, não me lembro de ver recorrentemente apontada, pela positiva ou pela negativa, a sua homossexualidade. Nos tempos atuais, supostamente mais modernos, isso já não seria possível. Uma crítica seria imediatamente classificada como homofóbica pelos guardiões das minorias, mesmo daquelas que dispensam esse tipo de guardas, e um elogio obviamente imputado ao lóbi dos gays.

Dificilmente será possível vermos hoje uma discussão natural e objetiva sobre os méritos e deméritos de um Fredy Mercury sem uma contaminação inevitável das, chamemos-lhe, suas preferências sexuais. À força de tanta pressão pela “modernidade” e pelo politicamente correto e na sequência das reações que todos fundamentalismos e radicalismos provocam, acabamos por viver muito mais condicionados por preconceitos do que no passado.  

Foto: Redferns, Bob King


12 fevereiro 2016

Em defesa da Genomnose


Talvez não conheçam a genomnose. Trata-se de próxima causa fraturante. Considerando que a ida a este Parlamento progressista da eutanásia vai ser tiro e queda, não importando muito se fica bem redigido ou não, o importante é o título, precisaremos de nova causa fraturante para continuar a luta.

Causas comuns que provoquem alinhamento de esforços, desenvolvimento sustentado e harmonia social não interessam muito, não ajudam ao “processo”. A lenha arde melhor depois de rachada. A dicotomia é a mãe da revolução, entre nós os progressistas modernos (neossocialistas?) e os outros, reacionários, conservadores (neoliberais?).

Face à necessidade imperiosa de encontrar novas causas que dividam o nosso trigo do outro joio, lembrei-me de lançar a genomnose. A ser traduzida por extenso seria mistura completa dos géneros. Sabemos que entre homem e mulher não há nem deve haver diferença, desde que as cuecas sejam suficientemente opacas, condição fácil de cumprir, em geral… De recordar que o argumento de o ambiente das conversas com um pai ser diferente do das conversas com uma mãe é um mito reacionário (neoliberal?).

Assim, não há nenhuma razão para o Estado obrigar o cidadão a especificar o seu género no seu relacionamento com a administração. Deverá, portanto, ser suprimida a abusiva e redutora casinha M/F de todo os formulários e documentos em vigor.

Causas como a corrupção que gangrena a sociedade e os seus valores, o trabalho infantil no mundo e a condição feminina em tantas paragens, não digo que não, mas não são suficientemente fraturantes… É muito mais impactante atirar para a arena um tema polémico e ver o pessoal lá todo à pancada, sob um estrepitoso coro de insultos da assistência. E veremos quem é mais forte! O fato de não existir discussão fundamentada e refletida (e educada) até é positivo. Isso reduziria a fracturação…

06 novembro 2014

Tinha que meter Deus?

Tim Cook, o CEO da Apple, veio corajosamente assumir em público a sua homossexualidade. Como estamos nos EUA onde há o mau hábito de invocar o divino por tudo e por nada, resolveu acrescentar isso ser um dom, dos maiores que Deus lhe tinha dado. Ora, eu acho este complemento muito infeliz. E sem sequer entrar pelo caminho de que se Deus tivesse dado um dom idêntico ao seu pai, provavelmente ele não teria nascido... mas isto é terreno que não quero pisar agora.


Ele fala como CEO de uma enorme empresa, das maiores no mundo, e certamente para chegar onde chegou terá muitos e variados méritos e dons, seguramente muito mais relevantes do que a “simples” orientação sexual. Depois, imaginemos que uma celebridade diz: “Agradeço a Deus ser heterossexual, foi um grande favor que ele me fez!”. Levantaria imediatamente um coro de protestos indignados, com meio mundo chocado e a exigir logo o escalpe moral e ético do individuo. O que Tim Cook disse foi mais ou menos isso …  

06 fevereiro 2013

Mais um Parlamento perdido

No âmbito da discussão da legalização do casamento homossexual em França, o respectivo Parlamento encontrou um problema muito bicudo de resolver: qual o critério para o nome da família da criança adoptada. Para quem não sabe, nome de família em França só pode ser um e é o do pai – sim, é assim por lei e em França, não é na Arábia Saudita nem num desses países esquisitos de direitos, liberdades e igualdade entre géneros. Só se o pai for um pé rapado e a mão tiver alto pedigree, é que pode haver uma excepção para a criança receber o nome da mãe. Eu próprio o comprovei quando ao registar o meu filho nascido na Bélgica, com legislação idêntica, em que precisei de à pressa declarar nomes de família como nomes próprios para o rapaz pode ficar com mais do que um único nome de família. Voltando às famílias homossexuais, é bastante óbvio que a solução simples é ficar com os dois nomes de família. Só que, igualdade por igualdade, isso também teria que ser aplicado a toda a gente, destruindo então essa pedra basilar da identidade francesa. Como ilustração dos problemas que isso traz, foi referido o caso português dos nomes de família que nunca mais acabam. Lá chamam-lhes “nomes mala”, em português será talvez um “comboio de nomes”. Mas, se para evitar nomes comboio é necessário estabelecer por legislação uma coisa tão desigual e retrógrada, é estranho. Por outro lado, é incrível como parece ser mais fácil discutir a família homossexual do que simplesmente anular essa regra arcaica e machista. Para que conste: os adultos têm o direito de viverem como entenderem na sua esfera privada e por isso acho bem que possa aplicar-se-lhes a instituição/contrato casamento. Como uma criança não é um animal de estimação eu acho mal que tenham pai-pai ou mãe-mãe. Mas esta é a minha parte retrógrada.

24 fevereiro 2012

De quem se fala

Confesso que tenho mais simpatia por Barcelona do que por Madrid e que essa preferência se transmitiu numa primeira fase ao Barça x Real. Com a história da transferência do Figo, o meu “respeito” pelo clube catalão baixou bastante. Neste momento “me encanta” que o Real regresse aos títulos e que para isso tenha necessitado de Portugueses em que, para lá do C. Ronaldo, esteja especialmente o “Mou”. Sem concordar com muitas das suas posições e afirmações, acho sumamente divertida a trovoada que ele causa por terras de Castela. 

Por isso tenho sempre alguma curiosidade quando vejo um título sobre Mourinho. Desta vez era “Mourinho acusado de ser homofóbico” e lá vem a interrogação “o que é que foi desta?!!”. Pelos vistos, antes do último jogo com o CSKA em Moscovo e face ao atraso dos anfitriões em decidirem qual a bola que seria usada, ele terá dito “Quando é que estes mariconços se decidem…?” e lá veio uma associaçõe que eu nem sonhava que existisse - Federação Europeia de Gays e Lésbicas Desportista - com um “ai Jesus” que isso não se diz” e a solicitar à Uefa que tome medidas e imponha sanções! Sendo que mariconço/maricas não é equivalente a homosexual, a atitude dessa tal federação foi, isso sim, verdadeiramente mariconça!

Está cada vez mais difícil usar algum tipo de adjectivo depreciativo. Em torno da raça está mal é claro; autista e atrasado mental é politicamente incorrecto, se bem que dizer que alguém que ouve está a ser surda não é pejorativa para os verdadeiros surdos. Se se usar burro, urso ou camelo já não faltará muito para uma associação protectora dos animais se indignar. A ser assim, pelo seguro, o melhor é atirar com um rotundo e implacável:

- normal, saudável, descomplexado e heterossexual!!!

Ainda não tem conotação negativa mas já faltou mais e para estes não haverá seguramente nenhuma associação que se manifeste.

13 janeiro 2010

Casais e famílias

Parece-me defensável que dois homossexuais possam ter um contrato social que enquadre a sua partilha de vida, estabeleça direitos e obrigações mútuos, regulamente partilhas e heranças e outras coisas desse género. Aliás até nem me chocaria demasiado que 3 ou 4 pessoas, maiores e vacinados, decidissem constituir uma “família”, independentemente do respectivo sexo e orientação, originais ou modificados.

Quanto à adopção, a esfera é outra: a avaliação determinante é no ponto de vista do adoptado. Por isso, quando se começa a discussão falando no “direito à adopção”, já se está a entrar pelo mau caminho, com os papeis secundários a roubarem o palco aos protagonistas.

É que pela mesmíssima ordem de razões, não vejo nenhum motivo racional para não legalizar também a poligamia e respectivo direito à adopção. Se não há problema em ter dois pais ou duas mães, qual o problema de ter um pai e duas mães, ou duas mães e um pai? Seria uma restrição discriminatória, anticonstitucional e, inclusive, antidemocrática, considerando que presumivelmente há muito mais gente com inclinação sexual “poli” do que “homo”! A diferença é que o “poli” é socialmente condenável e considerado retrógrado enquanto o “homo” deixou de ser censurável e passou mesmo a ser sinónimo de modernidade.

A heterodoxia no relacionamento entre adultos é uma coisa que choca mais ou menos conforme o contexto e, talvez, o hábito (eu nunca me irei habituar ao mau gosto horrível das paradas gay). Quanto a menores a história é outra. Não ter pai nem mãe é uma coisa, mas ter dois pais ou ter duas mães não é normal. As relações afectivas com pai e com mãe têm diferenças concretas, função do sexo real do progenitor. Os técnicos, pedopsiquiatrias e até psicanalistas, poderão esclarecer com rigor e fundamento, se quiserem, mas falar disso não está “in”...