Não há maior cego do que aquele que não quer ver e a cegueira de uma certa esquerda sobre as experiências comunistas é um caso patológico.
Vimos recentemente passar o centenário sobre o nascimento de
Fidel Castro e, fatalmente, não falaram esforços para encontrar méritos no
senhor. Cheguei mesmo a ver realçado o seu carácter humano. Considerando que
não teria sido um humanoide, do ponto de vista biológico está correto.
Mais difícil será enquadrá-lo numa humanidade que inclui respeito
pelos outros seres humanos, empatia, solidariedade e altruísmo; olhar o outro e
entender que há sempre algo de comum connosco. Recordando o muito oportuno e humanista
Albert Camus
Os homens são
todos diferentes, é verdade, e eu sei das profundas tradições que me separam de
um africano ou de um muçulmano. Mas sei também o que nos une, sei que há, em
cada um deles, algo que não posso desdenhar sem me destruir a mim mesmo
Fidel Castro teria carisma e capacidade de sedução,
especialmente para quem quisesse ser seduzido. Associar isso a humanidade, especialmente
com toda a prática repressiva e feroz protagonizada pelo regime, é um abuso e
uma estupidez.
Gostava de conhecer um exemplo, um único, de um regime
comunista que tivesse tido uma prática humana e de respeito pelos direitos
humanos. Penso que nem sequer se consegue encontrar a tal exceção que
eventualmente confirma a regra.
Provocação final: que diriam estes admiradores de Fidel, se
aparecesse alguém a invocar que, apesar de tudo o resto, Hitler tinha sido um
patriota.

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