19 agosto 2026

A humanidade de Fidel Castro


Não há maior cego do que aquele que não quer ver e a cegueira de uma certa esquerda sobre as experiências comunistas é um caso patológico.

Vimos recentemente passar o centenário sobre o nascimento de Fidel Castro e, fatalmente, não falaram esforços para encontrar méritos no senhor. Cheguei mesmo a ver realçado o seu carácter humano. Considerando que não teria sido um humanoide, do ponto de vista biológico está correto.

Mais difícil será enquadrá-lo numa humanidade que inclui respeito pelos outros seres humanos, empatia, solidariedade e altruísmo; olhar o outro e entender que há sempre algo de comum connosco. Recordando o muito oportuno e humanista Albert Camus

 Os homens são todos diferentes, é verdade, e eu sei das profundas tradições que me separam de um africano ou de um muçulmano. Mas sei também o que nos une, sei que há, em cada um deles, algo que não posso desdenhar sem me destruir a mim mesmo

Fidel Castro teria carisma e capacidade de sedução, especialmente para quem quisesse ser seduzido. Associar isso a humanidade, especialmente com toda a prática repressiva e feroz protagonizada pelo regime, é um abuso e uma estupidez.

Gostava de conhecer um exemplo, um único, de um regime comunista que tivesse tido uma prática humana e de respeito pelos direitos humanos. Penso que nem sequer se consegue encontrar a tal exceção que eventualmente confirma a regra.

Provocação final: que diriam estes admiradores de Fidel, se aparecesse alguém a invocar que, apesar de tudo o resto, Hitler tinha sido um patriota.

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