Fundos soberanos são tipicamente coisas de países ricos que, em vez de deixarem o pé-de-meia debaixo do colchão, o investem aqui e acolá. No caso do nosso, que passa a vida de mão estendida, precisaria de estender as duas e, atendendo ao notório insucesso das suas investidas em empresas, as expetativas não são positivas.
Quando não se sabe justificar objetivamente uma decisão, é
prática comum invocar um presumido e vago interesse estratégico. Quanto à
entrada no capital da REN, o Primeiro-ministro ousou concretizar e anunciou que
tal participação iria permitir aos portugueses virem a pagar menos pela
eletricidade. Como explicaram vários conhecedores, alguns até da mesma cor
política, isso é mentira. Face à regulação a que já está submetida e empresa,
de forma nenhuma a presença de um ou dois administradores públicos no seu
conselho de administração poderá ter impacto nas nossas faturas futuras.
Para não ficarmos pelas mentiras, evoco uma verdade. O
hospital público de referência para o meu concelho é o de Santa Maria Maior, de
Barcelos. Com todo o respeito e reconhecimento pelos profissionais de saúde que
aí trabalham, aquilo não são instalações deste século, nem os meios disponíveis
compatíveis com a dimensão da população atendida. Seria muito mais estratégico
para mim, e para uns largos milhares de utentes, dispor de uma boa
infraestrutura de saúde. Os potenciais futuros administradores públicos
nomeados para a REN terão certamente outras prioridades, mas em contabilidade
democrática a sua derrota seria esmagadora.

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