29 abril 2011

Bolludos e Pelotudos



Foi-me recomendado por um colega, antigo combatente comum daquelas latitudes, o filme argentino “O segredo dos teus olhos”. E vi, com prazer, um daqueles filmes que não é linear de narrativa única e previsível, como parece ser a norma recente. Tão pouco necessita de guia e tradução para se entender o que o realizador quer realmente contar. Uma história simples mas com níveis e linhas narrativas suficientes para ter a profundidade e a riqueza necessárias. E, mais do que tudo, um filme sobre pessoas e a suas “normais/excessivas” paixões.

Tem um encanto nostálgico especial para quem viveu (e aturou) algo por ali, com aquelas saídas “bolluzadas” e afins. Sem pegar na origem da palavra e na sua tradução literal (descubra quem quiser), “bolludo” é muito amplo. Sendo originalmente sinónimo de estúpido e imbecil, pode em ambiente de familiaridade até servir de saudação: nós também podemos chamar “urso” e “camelo” a um amigo... Em caso de desgaste excessivo passa-se ao mais rotundo “pelotudo!”, mas pronunciado com todas as sílabas bem marcadas!

Na ficha do filme encontrei o nome da actriz principal, Soledad Villamil (pronunciar "Vijamil"), e descobri que também canta. Não é uma Adriana Varela, pelo menos por enquanto, mas canta de uma forma … “bolluda” – ou será que não se pode usar isto no feminino? Não sei, mas pelo menos não fica bem ser usado por quem não sabe, donde que retiro o que disse.

A Argentina é um país complexo e complexado. Tanto se sente um certo desespero ao lidar com gente frustrada por ter tentado atravessar culturalmente o Atlântico e o Equador, sem sucesso (ao contrário do Brasil que vive muito melhor a sua pele); como se admira aquela tipicidade “bolluda” (e cá estou eu de novo a reincidir na falta).

E um par dançando/representando um tango numa manhã de fim-de-semana, à sombra das árvores de uma praça de S. Telmo, não tem nem pode ter correspondência ou equivalência em nenhum outro lugar.

25 abril 2011

Sobrevivendo os Pardais

Alturas houve em que eu não tinha paciência para ouvir falar nos “Descobrimentos”. Na história oficial que tínhamos que aprender, eles eram o momento alto e, bem vistas as coisas, o único momento alto. E, 500 anos depois, apetecia dizer: sim, está bem, foi extraordinário, mas fechemos a página e deixemos de viver uma identidade plantada nas cinzas dos Gamas e dos Cabrais!. Posteriormente achei que se a nossa dimensão não se pode esgotar e encerrar nessa empresa, podemos e devemos, no entanto, olhar para a frente sem a menosprezar nem ignorar.

Curiosamente, enquanto a Grécia, que até tem alguns tristes pontos em comum recentes connosco, continua após vinte e cinco séculos a capitalizar os seus Sócrates e Aristóteles, nós não conseguimos que o Mundo reconheça a dimensão devida aos Descobrimentos, a que pode nem ser estranho o facto de nós próprios termos dificuldade em a gerir friamente. Há pouco tempo li “O Império dos Pardais” de João Paulo Oliveira, um excelente romance histórico passado no tempo de D. Manuel I. Colocar aquele enredo riquíssimo ao lado do que serve de base à famosa série “Os Tudor” sobre Henrique VIII não tem comparação possível. E enquanto meio mundo terá visto interessadíssimo a evolução dos problemas hormonais desse soberano e demais tricas cortesãs, poucos em Portugal conhecerão a real dimensão dessa época manuelina.

Hoje comemoramos o 25 de Abril que começa a ficar para a nossa democracia, como os Descobrimentos estão para a história de Portugal. Temos que passar à 3ª fase: depois da celebração eufórica e depois do desencanto com o resultado objectivo; deixemo-lo na história como um momento belíssimo e olhemos para a frente de forma construtiva e descomplexada.

O título do livro “Império dos Pardais” evocava o facto de o pequeno pardal Portugal conseguir manter um império mundial só e apenas enquanto os pássaros grandes se entretinham nas duas disputas e querelas. Quando estes parassem e olhassem para o mundo, nós rapidamente seríamos retirados de cena. Na prática foi isso que aconteceu mas não lhe atribuo uma causa de fatalidade incontornável tão clara. De qualquer forma, se temos que ser sempre pardais, que o sejamos, mas sapientes e dignos.

21 abril 2011

Nada de novo

Talvez não seja bom sinal entender que não há nada de novo, mas vejamos:

- Tolerância de ponto hoje à tarde. Não sei quantos milhões custa, mas do ponto de vista do princípio é muito dificilmente justificável; na situação actual do país é escandaloso. Ou será que produzimos riqueza suficiente para nos podermos permitir um descansozito extra?

- Vencimentos dos militares. Foi um verdadeiro drama terem recebido a 21 em vez de a 20. No contexto actual das finanças públicas faz soar alarmes, mas por favor… E aquele representante de uma associação qualquer deles a dizer, com um tom levemente ameaçador, que eles têm por missão fazer cumprir a lei, independentemente de quem a desrespeita. Já chegamos onde?!? Será que no próximo dia 20 eles se apresentam no banco de metralhadora em punho para “fazer cumprir a lei”?

- Na Hungria acham mal que as crianças não tenham peso eleitoral. E, então, discutem incluir na constituição o dar a cada mãe dois votos. Duas questões: as crianças aceitam passar assim procuração a um progenitor? E, nesse caso, porquê a mãe e não o pai ou, sei lá, meio voto para cada um? Tanta idiotice junta!

- O Presidente Facebook. Não sei se é por dificuldades de expressão directa ou por querer ser moderno, mas corremos um risco: se o Facebook fechar, o nosso presidente apaga-se. Ou será que já não está apagado? Alguém se lembra de ele dizer (postar?) qualquer coisa de certeiro, oportuno e que acrescente algo? No melhor dos casos só vejo banalidades.

- Entrevista recente de Medina Carreira sobre o próximo governo. Não interessam os “modelos”, apenas é importante não gastar o que não temos. Programa do governo é irrelevante; o importante é saber quem serão os 3 ou 4 ministros chave e que sejam competentes, que tenham trabalhado na vida e que não tenham roubado! O homem é um lírico!!

- O Real Madrid volta aos títulos com dois portugueses chave. Deve gerar alguns sentimentos contraditórios numa certa alma castelhana.

- Ainda no futebol. Sou eu, contribuinte, quem paga aquela polícia toda por causa de uns excitáveis, excitados por uns dirigentes broncos e irresponsáveis? Não estou de acordo!

- O PS ultrapassa o PSD numa sondagem?!? Sugestão: convidem agora o Coelho da Madeira para ser deputado, com a condição de lhe dar a presidência de qualquer coisa, para ver se melhora…

- Ajuda externa. Essa já a temos há muito tempo com maior ou menor custo. O que vamos ter agora é “governo externo”, o que, face ao histórico, pode nem ser mau de todo. O PC e o BE são contra. Toda a gente tem direito a ter a sua opinião, mas as opiniões não são reconhecidas como assinaturas em cheque.

- Aqui junto ao meu local de trabalho, numa zona industrial, uma avenida que até nem envergonhava ninguém está a ser “requalificada” no âmbito do plano do Metro do Porto, que até só a toca numa parte inicial. Vai ficar mais bonita, é certo. Aquele granito que estão a pôr no separador central e no lancil dos passeios é realmente bonito, mas… havia necessidade?

- A Finlândia e a solidariedade europeia. Antes de mais, o mecanismo em curso não é uma dádiva; é um empréstimo. Em condições especiais, é certo, mas a reembolsar. Quanto à solidariedade, num espaço único tem que haver coesão. Lisboa não pode ficar com toda a riqueza gerada em Lisboa e aldeia lá do fundo da serra que se amanhe com a sua. Mas, ao fim de 25 anos de “coesão” e tantos “fundos perdidos” é justificável que ainda precisemos de tanta “ajuda”? Deverá existir uma solidariedade, leia-se transferência de fundos, permanente entre os “ricos” e os “pobres”? Os “ricos” são ricos porque trabalham mais e os “pobres” são pobres por serem preguiçosos e aldrabões?

E, por hoje, chega!

PS: A CP está em greve…!

03 abril 2011

Fantástico

“Devo referir que sempre estive convencido de que o meu percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do Processo de Bolonha”.

Para quem não sabe, uma licenciatura de “Bolonha” são 3 anos e este génio “estava convencido” de que estaria licenciado por ter andado por lá 8 anos. Não se pode culpá-lo: após tanto tempo é provável que tenha perdido um pouco a conta ao “elevado número de cadeiras concluídas”.

Este senhor chama-se Marcos Batista, era administrador dos CTT’s e, ao assumir o cargo, assumiu ser licenciado, ao que parece de boa fé porque estava realmente convencido disso.
Talvez o mais relevante no seu CV é ter sido sócio do Secretário de Estado que o nomeou para o cargo, onde estava desde 2005. Uma pesquisa do seu CV deu este resultado fantástico:

Administrador e CCO dos CTT - Correios de Portugal, S.A.;
Presidente do Conselho de Administração da EAD – Empresa de Arquivo de Documentação, S.A,.
Administrador da Payshop Portugal, S.A. e da Mailtec - Holding,SGPS, S.A.;
Vogal do Conselho de Gerência da PostContacto - Correio Publicitário,Lda.
Vogal do Conselho de Administração da Payshop Moçambique, S.A.R.L
De 1996 a 2005 foi Director de Marketing e Comunicação do Grupo Águas de Portugal, SGPS, S.A.;
Administrador da Águas de Moçambique entre 2001 e 2002;
Director Geral da Laveiro, Lda., e
Director Financeiro e de Marketing da Área Dinâmica, Lda.,de 1993 a 1996; Marketing Manager - Avon Cosméticos S.A., entre 1991 e 1993;
Gestor de Projectos da Transbel, S.A. e
Professor na Escola Secundária de S. João do Estoril, entre 1990 e 1991; Gabinete de Contabilidade Gloria Motta Pereira, de 1989 a 1990.

Falta aqui a referência da “empresa” em que Batista Bastos foi sócio de Paulo Campos, o tal Secretário de Estado que o nomeou: a empresa chamava-se “Puro Prazer” e foi constituída para “para organizar a Semana Académica de Lisboa no ano de 1995”, sendo extinta um ano depois.

29 março 2011

Salvação Nacional ?

Em momentos de maiores apuros é natural que se exija uma concentração de esforços para ultrapassar as dificuldades e, relativamente a Portugal, este é seguramente um momento desses. Daí, algumas vozes falarem em governos de “salvação nacional” com um amplo espectro partidário. Eu não acredito muito na eficácia de um governo tutti-frutti, ou arco-íris, como pretenderem chamar.

Um órgão executivo tem que ter competência, seguramente, mas também não funciona sem coesão. Penso que essa congregação de esforços pode e deve ser feita mas a montante, na definição das linhas políticas e das grandes opções. E existe mesmo um órgão que bem utilizado seria excelente para isso. Chama-se Assembleia da República.

Ora bem, eu tenho muita dificuldade em lembrar-me de alguma discussão construtiva que tenha ocorrido nesse plenário. Vê-se sobretudo um conjunto de senhores que arengam mais ou menos bem, com maior ou menor elegância, educação e princípios, assim a modos de ver quem faz a gracinha mais original ou cospe mais alto. Depois, há uma altura em que se vota e aí é basicamente alinhar as espingardas que cada grupo tem e fuzilar.

Ainda recentemente a brincadeira de revogar o processo de avaliação dos professores, sem entrar em discussões sobre os méritos e deméritos da mesma, é de um oportunismo escandaloso. Desfazer o que estava feito, porque se ganham votos e mais espingardas para a próxima legislatura não é sério … e quando os eleitores não se sentirem representados nessa brincadeira, vai ser mau.

26 março 2011

Curiosidade...


Os dois simpáticos senhores da foto acima, extraída do El País, são Francisco Camps, Presidente da Generalitat de Valencia e, o de óculos de aspecto simpático, Carlos Fabras, Presidente da Diputación de Castellon.


O primeiro é uma das figuras envolvidos no caso Gurtel, o tal das muitas prendas, do alfaiate e dos fatos, mas mais do que isso o de muito dinheiro com percurso estranhos, especialmente em eventos realizados em Valência, como a visita do Papa.


A cerimónia em causa na foto é a inauguração do aeroporto de Castellon cuja construção custou 150 milhões de euros, mas ainda não há aviões nem tem voos planeados, não tem licença de operação nem sabe quando a terá. Dizem os políticos que faz sentido inaugurar nestas condições porque assim o povo pode visitar as instalações tranquilamente e até passear pela pista. A necessidade de um novo aeroporto aqui também pode ser questionável, uma vez que Valência e o seu grande aeroporto estarão a cerca de 60 km de distância.


Lá como cá, estão identificados as principais molas que fazem mover os políticos:


- Realizar obras - Fazer inaugurações - Proporcionar entretenimento

24 março 2011

Credível ?

No âmbito do processo Casa Pia Paulo Pedroso esteve preso preventivamente e, justamente ou injustamente, sofreu um sério revés na sua vida a vários níveis.
Colocou um processo judicial a quem o tinha supostamente difamado, reclamando uma indemnização de 150 mil euros. Esta semana Carlos Silvino pediu desculpas a Paulo Pedroso, usando de novo o argumento de “estar medicado” quando o incriminou. Do lado de Paulo Pedroso, a resposta foi: está bem, pagas-me um cêntimo e não se fala mais no assunto. Eu se tivesse passado por uma situação idêntica poderia querer não ficar com o dinheiro para mim, mas se na base esteve realmente uma acusação sem nenhum fundamento, é demasiado grave para fechar assim com um simples pedido de desculpas e um cêntimo simbólico. Por outro lado, tenho uma enorme curiosidade em saber que medicação existe tão poderosa que condiciona os testemunhos e declarações de alguém durante anos.
Parece existir um processo de limpeza em curso, mas este episódio visto friamente cheira mais a tiro no pé.

18 março 2011

A Pensão do Zé

Terá começado há cerca de 20 anos, mais coisa, menos coisa. Uns génios financeiros profícuos em previsões macroeconómicas que o futuro costuma confirmar pouco fiáveis, começaram a dizer ao Zé que os Estados iam deixar de poder garantir a sua pensão de reforma e que ele tinha que se precaver. O Zé assustou-se e floresceram os vários produtos financeiros de capitalização como seguros e PPR’s, criando uma enorme massa que anda por aí à solta, a ser gerida pelos tais génios.
Numa primeira fase compraram, espremeram e venderam empresas, tendo sido comparados a um bando de gafanhotos vorazes, mas agora encontraram terreno mais seguro. Aquela coisa de que se fala muito recentemente, os tais “mercados financeiros”, é em grande parte a aplicação dessas poupanças dos Zés, e até mesmo do próprio coordenador do Bloco de Esquerda que tanto vocifera contra os mesmos. Descontando uma certa ingenuidade dos Estados que pensavam ter acesso ilimitado a esses mercados, reconheço ter pouca simpatia por esses gestores e dou dois exemplos que me repudiam fortemente: quando na situação actual do Japão, a sua preocupação é tentar adivinhar a evolução do yen e assim “investir” na boa direcção, independentemente do que isso pode significar de agravamento na situação do país martirizado e quando reclamam o direito de conhecerem o estado real de saúde de Steve Jobs, se vai durar semanas ou meses, para assim optimizaram a gestão da sua carteira de acções da Apple.
Depois, voltando às pensões, temos ainda o exemplo do Chile em que os “Chicago boys” implementaram precocemente este esquema de pensões de reforma privado. Parece que há fundos que derreteram e como o dinheiro em geral não nasce, há gente que está a ver a sua reforma rateada a 30% do valor previsível, e é de assinalar que o Estado Chileno não faliu.
Veremos se eu entendi bem o circuito actual: para se proteger do Estado, o Zé entrega poupanças aos fundos, este emprestam aos Estados a boas taxas de juro e terão excelentes resultados, o Estado para servir essa dívida (além de ter que corrigir outros disparates) tem que reduzir as pensões que paga. Há algo que me escapa ou parece existir aqui alguma coisa estruturalmente errada?

15 março 2011

Japão



Entre os vários países que visitei e culturas com que contactei tenho um apreço especial pelo Japão. E não necessariamente pelo facto de qualquer um, mesmo o mais simples motorista de táxi, conhecer Portugal e português não ser sinónimo de padeiro, merceeiro, trolha, empregado de mesa ou afim. Para o Japão, os portugueses foram os primeiros ocidentais que ali chegaram e que lhes trouxeram, palavras, conceitos e mesmo algumas tecnologias. Respeitadores como são, não o esqueceram ao longo dos séculos e continuam a reconhecer esse contributo. Mas há mais do que isso. Há uma seriedade intrínseca e um respeito pelo semelhante enormes.
Agora, dentro da brutal desgraça que sobre eles se abateu, terramoto, maremoto e risco nuclear é impressionante a imagem que transparece de que, mesmo assim, existe organização e eficácia. E mais impressionante é: não há especulação nos preços dos bens de primeira necessidade escassos e não há pilhagens. Isto é Civilização com maiúscula e uma enorme homenagem ao “Homem” no que de mais digno tem.

14 março 2011

Custos de transporte

Se o gasóleo sobe, isso reflecte-se naturalmente na estrutura de custos dos transportadores. Se eles não o conseguem absorver só existe uma solução e que não é de forma nenhuma específica deste sector: reflectir o impacto no preço de venda. Evidentemente que não é fácil porque os seus clientes não estarão muito receptivos, mas não há outra forma lógica de tratar o assunto.
Vir ao “Estado” pedir compensação é fazer com que todos os contribuintes financiem por igual o custo do transporte dos iogurtes, das resmas de papel, dos detergentes e de tudo o resto. Eu não estou de acordo. Se o custo do transporte de um produto sobe, é a sua cadeia que o deve gerir e repercutir, conforme o mercado permitir.
Um sector que prefere chantagear os contribuintes em vez de negociar com os seus clientes, não é são. Muito menos sãos são certos discursos que recordam que “não se responsabilizam pela violência”, como se essa violência fosse uma fatalidade inevitável. Isso tem um nome muito feio.

11 março 2011

Excesso de velocidade

1- No dia 9-7-2009 cometi (e fui apanhado) em excesso de velocidade
2- Em 6-8-2009 respondi ao pedido de identificação do condutor
3- A contra-ordenação da GNR tem data de 24-11-2009
4- Mas apenas foi expedida no final de Dezembro e recebida por mim a 5-1-2010,
5- Em 11-1-2010 apresentei exposição requerendo suspensão da sanção acessória (inibição de condução)
6- A decisão da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária tem data de 30-11-2010
7- O documento tem data de emissão de 21-1-2011
8- E foi expedido em 1-3-2011
Que eles não sofrem de problemas de excesso de velocidade processual, não há dúvidas. O que estranho é que entre a produção de um documento e a sua expedição se possam passar meses.
Estou condenado com 6 meses de pena suspensa, a partir de Março de 2011. Na prática já “cumpri” 20 meses, porque se durante este período tivesse praticado uma infracção adicional, esta seria seguramente “somada” anulando a tal pena suspensa. Farão de propósito?

08 março 2011

Rasca e desenrasca

Não aprecio nada a nova expressão consagrada de “Geração à Rasca”. Nenhuma das palavras está bem. Em primeiro lugar não existe um problema específico dessa geração. Há um problema comum e, se calhar, pior estará quem fez há 20 e tal anos um curso a sério, teve o primeiro carro comprado com o seu ordenado, assumiu independência logo que pôde e agora com quase 50 anos se vê num beco de difícil saída. A geração que se diz “à rasca” está basicamente perdida. De uma forma geral viveu melhor do que a sua antecessora e tem dificuldade em assumir o seu lugar no palco da vida que se apresenta difícil. Os tempos não ajudam, mas a vitimização também não.
Depois, temos a palavra “rasca”. Quem está à rasca, busca “desenrasca” e de desenrascanços já temos que baste (considerando que nem toda a gente se pode desenrascar “tipo” João Pedro Soares). As motivações para as manifestações de rua podem ser divididas em dois grandes grupos. Aqueles que reivindicam moralização do sistema, mais justiça social, igualdade de oportunidades, chamemos-lhe melhorias sistémicas; depois há os outros que basicamente querem mais para eles, cujo grande anseio é poderem eles também serem “tipo” J.P. Soares. Nos motes reivindicativos recentes parece-me entender principalmente uma vontade de “desenrasca” e o que precisamos não é de um desenrascanço geral. É de empenho construtivo, sério e sustentável.

24 fevereiro 2011

Notícia do dia

Diz o El País que a situação na Líbia está muita confusa. Acrescenta que 17 pilotos da força aérea líbia foram executados por se terem negado a bombardear bairros em poder dos rebeldes na cidade vizinha de Zauia. Não vale a pena comentar, pois não? Apenas tirar o chapéu e desejar que este exemplo de dignidade ajude a reduzir a insanidade no mundo, porque: “ A vida humana é tão importante que não pode permitir que a nossa própria vida tenha primazia sobre tudo o resto”.
Depois há aquelas notícias que enjoam e enojam. Uns analistas, daqueles bons em dar palpites que não caem no próprio bolso, opinam que se a Líbia e a Argélia pararem a produção, o petróleo pode chegar aos 200 USD. Gostava de ver essas contas e como se chega aos 220 e gostava também de “discuter un peu” com o idiota que consegue pôr a Líbia no mesmo patamar da Argélia! Aliás também gostava de ver um gráfico temporal comparando a evolução do preço do crude com o dos combustíveis. Uma coisa me parece: estes palpites ajudam efectivamente a subida.,
Uns iluminados em Lisboa, olhando para o outro lado do Mediterrâneo, acham que Magreb é mais ou menos a mesma coisa do Nilo à Mauritânia, da mesma forma como a Europa seria igual da Grécia até à Irlanda!
Numa revista semanal um tal de filósofo Gil faz uma análise teórica da “revolução” Egípcia de que talvez o Sartre gostasse. Só que este está morto, arrefece e cheira mal. Terá o nosso filósofo alguma vez visto, falado e sentido o cheiro de gente com fome, gente oportunista, gente violenta, gente generosa, gente cega ? Seguramente que não, mas é toda essa gente que esteve na rua em Tunes e no Cairo.
Ontem de manhã, num “petit táxi” de Casabranca, o homem fazia questão de me convencer que o Cristiano Ronaldo não tinha técnica, que não chegava aos calcanhares do Messi (o Figo, esse sim!), e encostamos para dar passagem a uma caravana oficial escoltada: “É o rei, estás a ver? Ainda é cedo e lá vai ele a caminho de Marrakech! Não pára! Tem feito um trabalho extraordinário!”
No final, que toda a gente viva melhor e com dignidade, sabendo que nunca lá se chega facilmente nem com simplificações grosseiras - isso é estúpido.

13 fevereiro 2011

Problema de concorrência ?!


Vemos aqui acima de um lado a pick-up Ford F 150, muito popular nos “states”, e do outro o monolugar da Ferrari para o próximo campeonato de Fórmula 1. Sendo o “F” um prefixo habitual desta última marca, especialmente nos mais recentes, e comemorando-se este os 150 anos da República Italiana a bela máquina recebeu o nome de F 150.

Ora bem, os homens de Detroit, se calhar ainda não tendo digerido completamente o falhanço da tentativa de aquisição da marca italiana há 50 anos atrás, resolveram reagir legalmente, apresentando uma queixa em tribunal baseada no facto de que «a Ferrari apropriou-se da marca F-150 para baptizar o seu novo modelo de competição F150, para capitalizar e lucrar com a notoriedade desta marca desenvolvida pela Ford".

Ora bem, olhando para as fotos acima, custa a crer que o Ferrari possa beneficiar de alguma forma da “notoriedade” da famosa carripana, antes pelo contrário… Enfim, a Ferrari decretou então que o seu carro só poderá ser referido pelo nome completo “Ferrari F 150th Italia”. Já estou a ver os comentadores das corridas super concentrados para não caírem na tentação de o referirem da forma abreviada, que possa desencadear uma fatal acção legal dos brilhantes advogados da marca F****. O ridículo não mata mas devia marcar.

11 fevereiro 2011

Estes polacos... !

O piloto de F1 polaco R. Kubica sofreu um grave acidente num rali em Itália no domingo passado, tendo ficado próximo de ver uma mão e até mesmo o braço amputados.
Para ajudar à sua convalescença, receberá uma relíquia do ex-papa e futuro santo João Paulo II que consiste num pedaço de uma veste e uma … gota de sangue!
Que mau gosto! Deve ser uma enorme fonte de força e de inspiração olhar para uma gota de sangue...
E depois o conceito de "relíquia". O que deve mobilizar são os princípios e os valores e não nenhum tipo de quinquilharia, por muito abençoada que se apregoe.
E podes voltar Eça que este mundo não mudou assim tanto..