10 agosto 2009

Ainda história de histórias

Continuando com a história sobre histórias e que nem era uma história, avanço com uns complementos para a teoria:
  • Quando não há história de suporte e apenas lá está a conceptual, é um poema;
  • Quando a capacidade de síntese é elevada e a história factual é minimizada, fica um conto, uma espécie de poema em roupagem mais macia;
  • Quando uma história tem centenas de páginas que se esgotam ao dobrar cada uma, é um escrito de um jornalista que julga ser romancista.

09 agosto 2009

A Vida Não Se Perdeu


Não consigo alinhar bem as razões objectivas mas Raul Solnado foi único, genuíno e grandioso.

Um crítico irónico tende a criar inimigos, mas olha-se para aquela expressão e fica-se a imaginar como é que alguém se conseguiria alguma vez zangar com ele. E ele “meteu-se” com toda a gente, não poupou nem se poupou.

Tinha um claro entendimento do limite entre o humor provocatório e a vulgaridade grosseira, jamais pisado.

As rábulas que toda a gente conhece passaram do gravador de fita de enrolar do meu pai para o CD sem ganharem o mínimo cheiro a bolor.

07 agosto 2009

Roubo, mas faço!

A célebre frase veio para os títulos e para as primeiras páginas a propósito dos gestores de coisa pública que “fazem obra”, assumindo até com orgulho existirem ilegalidades associadas. Uma forma de dizer que os fins justificam os meios. Há contextos diferentes. Uns são pura e simplesmente ladrões básicos, outros entendem que sendo mal pagos têm direito moral a um complemento de retribuição não oficial, noutros casos vem o argumento de que “a cumprir integralmente a lei nada se consegue fazer”. O último caso é o mais subtil e por isso o mais perigoso.

É típico do sub-desenvolvimento haver uma entidade que pede um carimbo à esquerda e outra que pede um carimbo à direita sendo que dois carimbos, um à esquerda e outro à direita, também não são aceites. Neste caso a opção é entre parar e nada fazer ou avançar de alguma forma, sabendo que o que quer que se faça com o carimbo será sempre ilegal.

Convém então separar bem duas situações diferentes. Uma coisa é o envelope gordo do empreiteiro, outra coisa é um carimbo mal aplicado. Se a legislação ainda tem problemas com “carimbos” que faça o trabalho de casa. Enquanto não for feito esse trabalho de casa, a justiça que se preocupe então prioritariamente com os envelopes. Pode ser mais fácil detectar e condenar carimbos mas não é aí que está o problema sério.

05 agosto 2009

Emissões zero, sim, pois...


O novo Nissan Leaf apresentado estes dias como o primeiro automóvel eléctrico de grande massa, foi anunciado como sendo de “zero emissões”! Ora, isso não é nada de novo. O meu carro nas descidas quando não toco no acelerador também é zero emissões! Não gasta combustível nem polui nada. Obviamente que é uma argumentação falaciosa porque a estrada não é sempre a descer. É necessário avaliar o ciclo completo.

Aqui é um pouco o mesmo. Quando o veículo parte com as baterias carregadas é como o meu automóvel nas descidas. Mas, e como se carregam as baterias? Com energia eléctrica! E como se consegue a energia eléctrica? Bom, um parte hídrica, está bem, um bocadinho eólica e uma grande parte de centrais térmicas a carvão, a petróleo e a gás que são tudo menos “emissão zero”.

E vamos esquecer o impacto ambiental das baterias no fim da vida. Como qualquer utilizador de telemóvel ou de PC portátil sabe, elas até têm por vezes uns caprichos suicidas esquisitos...

No fundo. é o mesmo argumento do hidrogeno. É limpinho depois de carregar o carro com o gás. Para o produzir... é necessária energia eléctrica, a mesma que carrega as baterias como visto acima.

Como a eficiência energética dos motores térmicos de explosão que temos, salvo erro, anda à volta dos 30%, pode ser que no global, apesar do transporte da energia eléctrica, o bicho até seja ecologicamente mais simpático. As centrais especialmente de ciclo combinado têm melhor rendimento e ele recupera energia nas travagens. Agora deveriam era apresentar as contas do ciclo completo. Este “marketing” ecológico simplificado está a tornar-se uma praga díficil de aturar!

02 agosto 2009

Contar uma história

Não é que eu o tenha estudado, é apenas um palpite. Acho que bem contar uma história tem vários níveis e planos.

Há a história de suporte, a factual. A parte narrativa: abriu a porta, disse isto, olhou para acolá. É a parte que gasta tinta e papel.

Há a história de fundo, a conceptual. Não se escreve directamente, é derivada da factual de suporte.

Há as marcas. Referências que vão ancorando a história de suporte e deixando bandeiras para a delineação da história de fundo.

Uma escrita somente com relato factual por mais elegante e clara que seja é apenas uma reportagem. A boa escrita é aquela que vai deixando marcas criteriosamente e cirurgicamente para no final: clique. De um momento para o outro revela-se o conceito de fundo e completa-se o quadro. Pode até nem ser uma grande conclusão filosófica nem uma suprema evidência estética. Tem é que ter algo que sobressai claramente e permanece depois de passada a última página. Como o travo final que fica na boca depois de um bom vinho ter descido pela garganta.

E terá ficado algo no fim desta pequena história?

31 julho 2009

Água não ecológica




Este mundo tem uma capacidade infinita de me surpreender. Num jornal francês que me passa à frente do nariz por acaso leio que algures na Nova Zelândia uma cidade decidiu proibir a água engarrafada. Por motivos ecológicos, para reduzir as emissões de CO2. Porque gasta embalagem, porque o seu transporte tem um impacto ambiental significativo e por aí fora.

A mensagem é: tem sede e é um cidadão ambientalmente correcto? Então vá a torneira! E nem sequer é sensibilização. É proibição! Pelos vistos, muitos ecologistas aplaudem e gostariam de ver a medida alargada ... até ao infinito da idiotice.

Ora bem. Para mim beber água não corresponde apenas a satisfazer uma necessidade elementar. Beber água é muitas vezes um prazer. A água não é toda igual: tem gosto, umas mais ao meu gosto, outras menos.

E, além disso, é bem mais saudável beber água recolhida directamente de uma nascente pura e limpa do que água captada no verdete de uma barragem qualquer e que depois de passar por uns filtros e receber uns aditivos, viaja por uns tubos mais ou menos bons até às nossa torneiras.

Se querem ser fundamentalistas, proíbam antes as porcarias das bebidas doces (in english: soft-drinks). Essas sim, com água da torneira e uns pozinhos conseguiriam ser facilmente produzidas em casa, com menos impacto ecológico e, aposto, muito mais saudáveis!

Se esses toscos não sabem beber água, abstenham-se ao menos de procurar impor essa limitação ao resto do mundo...
Não invejo de quem tem
Carros, parelhas e montes
Só invejo de quem bebe
A água em todas as fontes!

28 julho 2009

As férias e o período de férias...

Alturas houve em que Agosto era o mês das férias. As empresas fechavam e pronto! Toda a gente sabia que em Agosto nada acontecia e tiravam-se férias tranquilas, penso eu, já que não apanhei essa fase. Só apanhei bastante mais tarde alguns clientes que decretavam: os nossos serviços financeiros estão fechados em Agosto e atrasa tudo um mês. Um factura vencida a 30 de Agosto será paga a 30 de Setembro!

Depois, com a pressão e o esticar, o mês reduziu para duas ou três semanas. Aí começou o problema. Não sendo os períodos necessariamente coincidentes lá vieram os protestos e o “direito” a férias a ficar em questão.

O passo seguinte foi “não fechar”. As pessoas desdobram-se e garante-se continuidade e serviços mínimos. Em teoria pode estar certo mas na prática só funciona para estruturas sobredimensionadas e para organizações em que os clientes aceitam esses serviços mínimos, o que é cada vez mais raro. Recordo-me de um cliente que sem pré-aviso encomendou na última semana de Julho um projecto complexo e que queria arrancar a sério, de imediato, porque tínhamos dito que em Agosto “não fechávamos”. Só sossegou quando sem querer, mas meio simbolicamente, dobrei e parti intempestivamente uma régua de duplo decímetro durante uma reunião. Era uma reunião de serviços mínimos em Agosto em que ele queria à viva força que respondêssemos imediatamente a tudo o que era pedido.

Assim, as férias são cada vez menos um tempo de descanso e cada vez mais uma período de enorme pressão em que para lá do habitual, nem sempre pacifico, se soma o ter que fazer o mesmo... em serviços mínimos.

Analiso e concluo que férias, mesmo férias, apenas as tive nas alturas em que mudei de empresa. Aí, efectivamente, entre o sair duma e o começar na seguinte consegui ter férias....

26 julho 2009

Empurrar com a barriga, vazia

Em tempos, ao definir as qualificações requeridas para um posto de trabalho, alguém dizia que bastando saber ler e escrever seria suficiente a “4ª classe”. Na altura acrescentei que estava de acordo, mas desde que fosse uma 4ª classe das antigas! Porque, realmente, antigamente saía-se desse nível a saber ler e escrever. Quer dizer... quase todos saiam. Alguns poucos que não conseguiam mesmo assimilar o programa mínimo lá andavam até ao limite de idade, sendo caridosamente aprovados pelos professores, desde que fosse bem claro que não iriam prosseguir os estudos. Esses professores tinham brio e vergonha de entregar gente mal preparada aos colegas seguintes.

Hoje este problema da 4ª classe multiplicou por três e passou para 12 anos. E encontrou-se uma solução chamada “novas oportunidades” para desencalhar o pessoal. Se é análogo aos que “faziam” a 4ª classe com 14 anos, apenas para poderem tirar a carta de condução, talvez se entenda. No entanto, se o 12ª ano NO é igualzinho ao normal, tirado a sério e com esforço em termos de qualificação profissional e acesso ao ensino superior, é uma enorme injustiça. Já se está a ver a malta toda a aproveitar descaradamente a oportunidade para conseguir o “mesmo” com menos trabalho.

E, por falar em ensino superior, se hoje já há quem por lá ande, simplesmente andando, concluindo uma cadeira em cada ano, como ficará quando lá chegarem os NO’s? Há uma solução: criar licenciaturas NO concluídas em 6 meses e não muito complicadas para “resolver o problema”. No final teremos muitos e muitos licenciados que se criaram e formaram no facilitismo absoluto e que ... esperarão novas facilidades.

Não sou de forma nenhuma contrário à diferenciação de curricula. Tem é que ser clarificado e assumido. A não diferenciação mata o mérito e nem vale a pena pensar sobre um país de gente formada desta forma desenrascada. Por este andar iremos ter muitos “mestres” que na realidade terão qualificações inferiores a uma 4ª classe... das antigas.

24 julho 2009

O centro



Pode estar constantemente pejado de turistas poluidores visuais e sonoros.

Pode não haver pachorra para tanto espanhol a cacarejar altíssimo pelas ruas, japoneses frenéticos e brasileiros deslumbrados.

Pode ser irritante ouvir as tias e os tios no aeroporto a desabafarem “Nem imagina como estava a Louis Vuitton hoje à tarde!!”. “Ah sim? Mas qual delas?” E discutem como grandes connaisseurs as diferenças entre os várias locais de cada marca (não é qualquer um que atinge este nível!).

Podem os parisienses serem em geral uns arrogantes de nariz empertigado.

Pode haver tudo isso e muito mais, mas quer queiramos quer não, aquela agulha representa o centro de um certo mundo.

21 julho 2009

A escrita não se dita

Não é de hoje nem de ontem. É de sempre, desde que o abecedário me chegou às mãos. Consigo ler o que está escrito sem problemas, consigo redigir o que penso com alguma facilidade, mas não consigo “ditar” em detalhe algo para outrem escrever. Nem sequer tendo eu a esferográfica ou o teclado. Sou incapaz de realizar uma redacção colectiva.
É dos momentos mais embaraçosos e deprimentes estar com uma ou várias pessoas face a uma folha de papel em branco e:
  • Então como é que se começa?
  • Humm... . como é!?!
  • Diz lá então...
E depois dos primeiros rabiscos:
  • Não, não está bem assim!
  • O que é que se acrescenta?
  • Assim?
  • É melhor ao contrário!
Um desespero!!
Mesmo pegando na folha de papel e nos comandos e pedindo silêncio, sou incapaz de escrever algo de raiz em colectivo. Se for uma pequeno ajuste ou correcção a texto existente, ainda vai; agora se for na base do rasgar a folha e começar de novo é absolutamente impossível.
A escrita ainda não escrita não se dita. É uma questão pessoal e solitária.

19 julho 2009

Uma sagrada hipocrisia....!

A gente lê e quase nem acredita...
Excerto de uma notícia publicada recentemente no DN:

"Para poder receber o sacramento do matrimónio, no qual os católicos crêem que Deus valida de forma indissolúvel a união do casal, Rita teve de provar que o mesmo gesto que fizera sete anos antes não fora válido. Que o seu primeiro casamento realizado na Igreja, com Daniel, foi nulo, porque não assentou nos ideais base do matrimónio cristão: casar para toda a vida e constituir família. Através de um tribunal eclesiástico, que analisou o caso ao longo de vários meses, ficou demonstrado que o contrato estava, à partida, viciado. Apesar de na altura ter pronunciado as mesmas palavras de amor eterno, interiormente, Rita nunca quisera assumir uma relação para sempre. Nem tão pouco desejara ter filhos
[...]
“Eu disse sempre que não queria ter filhos. Mas ele pensava que eu ia mudar de ideias", recorda Rita, advogada de 31 anos, recuando ao ano em que conheceu Daniel, o rapaz giro e bem-disposto com quem casaria após um ano de namoro. "Nem sei bem porquê. Talvez por ser nova e ter um feeling que aquilo não seria para sempre. E que, se tivesse filhos, se tornaria irreversível. O que me prendia para a vida, eu rejeitava", explica. Tinha 24 anos e uma educação religiosa, mas a vida espiritual ficara para trás, no colégio de freiras.
[...]
Antes que o ex-marido fosse notificado pelo Tribunal de Viseu, onde acabou por vir a correr o caso, Rita contou-lhe a sua intenção. "Não gostou muito da ideia, mas colaborou. No depoimento disse que para ele o casamento era para sempre. E que eu é que não o tinha respeitado", afirma, reconhecendo que as suas palavras duras até lhe foram favoráveis, pois comprovaram que a união estava viciada. Além de Daniel e Rita, foram ouvidas testemunhas que confirmaram o estado de espírito na altura do casamento: a exclusão dos filhos por parte dela e a imaturidade. Outra pessoa testemunhou a mudança radical na forma de encarar o casamento e o desejo de constituir família.

Prova disso foi o nascimento da filha, ainda antes de sair a sentença. E a vida religiosa, praticada agora com devoção. Ansiosos pela confirmação da decisão, Rita e João não casaram a 28 de Dezembro, dia da Sagrada Família, como tanto desejavam. Fizeram-no dois meses e meio depois. Com a igreja cheia e três padres no altar."

Em resumo: a mesma instituição que quase excomunga e recusa a comunhão a divorciados banais, anulou o casamento da menina, a pedido da própria, porque na altura ela era imatura e não tinha pensado a fundo no assunto. E tanto mudou que a filha do segundo casamento até nasceu antes do primeiro ser anulado...!
Questão: O resultado seria idêntico com outros protagonistas: se ela não tivesse sido criada em colégio de freiras; se o segundo marido não fosse um “católico fervoroso” e se não fossem gente de colocar três padres no altar!? Cheira-me que não e, por isso, algo está podre no reino deste crucifixo...

17 julho 2009

No meu tempo...


Testemunho antigo:

"Nascemos com a Lua aos pés, trazida em transmissões directas..."

Nos 40 anos da viagem histórica da Apolo 11, quem imaginaria que poderíamos dizer hoje aos nossos filhos e mais tarde aos nossos netos, com um toque de nostalgia:

“No meu tempo... no meu tempo... no meu tempo o homem caminhava na lua!!”

Valeu a pena? Se a nossa vida actual não seria muito diferente se o homem não tivesse chegado à Lua, a alma, essa sim, estaria mais pequena.

Dizia Gedeão que é o sonho que faz o mundo pular e avançar. Mas não basta. Para mexer mesmo a sério, é preciso mais. Sem a motivação gerada pela Guerra Fria USA/URSS, em cuja contabilidade também contavam as bandeiras científicas tecnológicas, nunca a exploração espacial teria tido o mesmo ritmo, empenho e amplitude.
Por outro lado, e mais concretamente, 8 anos antes de 1969 John Kennedy tinha definido o grande obectivo de colocar um homem na Lua antes do final da década de 60. E, sem esse objectivo claro e a grande pressão associada, a NASA teria feito o melhor possível mas não necessariamente antes do final da década.

Para terminar fica a natureza da motivação. Quando um enorme desafio é lançado, o que motiva e mobiliza vontades para atingir esse “impossível”? O chicote? O cheque? A vergonha da humilhação de falhar? O simples prazer e satisfação de cumprir? A vaidade e o orgulho pessoal ou colectivos? Tanta coisa e tão diversa que nos perdemos. O certo é que é na natureza dessa motivação que se define a qualidade de um individuo, grupo ou nação e o que realmente vale a pena valer a pena.
Foto extraída do site da Nasa

15 julho 2009

A PIC e a PAC

A PAC, política agrícola comum, é muito contestada por vários sectores. Tanto na perspectiva macroeconómica, por ser contrária à liberalização das trocas comerciais a nível mundial, como do ponto de vista macro-social por ser injusta e asfixiar o desenvolvimento dos países pobres. Os seus defensores argumentam que sem agricultura, a Europa cultural, social, económica e até mesmo paisagisticamente deixaria de ser Europa.

Deixando de lado a polémica interna sobre o desequilíbrio entre as ajudas à beterraba do Norte e às oliveiras do Sul, existe alguma base, mesmo que politicamente incorrecta, para essa argumentação. Se não houvesse agricultura e campos cultivados a Europa seria muita diferente da actual e talvez globalmente pior.

Vem isto a propósito duma possível “Política Industrial Comum”. É ainda mais difícil a sua defensa, até porque o argumento paisagístico aqui não funciona. Mas e o social? Será possível à Europa que conhecemos e queremos resistir sem indústria? Não, declaradamente não. O que estamos a ver acontecer com o encerramento de unidades industriais e o definhar desse mercado de trabalho não augura nada de bom.

Se é considerado estratégico existir auto-suficiência alimentar numa série de produtos agrícolas, não poderá haver um raciocínio análogo para alguns produtos industriais? Sim. Para mim é inquestionável que, por exemplo, a indústria automóvel nunca sairá de França, Alemanha ou Itália. De uma forma ou de outra, assumida ou dissimulada, será construída uma “PIC” para as indústrias estratégicas do ponto de vista tecnológico e/ou social.

Só resta desejar que na construção dessa PIC não se repita a história das beterrabas e das oliveiras. Os países do Sul não têm construtores automóveis mas também necessitarão de uma PIC para os seus pilares industriais.

14 julho 2009

Apenas curiosidade...

Todos se devem recordar do vendaval que correu meio mundo após a publicação de umas simples caricaturas, embaixadas assaltadas e tudo o mais. E também da enorme onda de solidariedade com as vítimas da ofensiva Israelita em Gaza.

A agora, na China? Foram esmagadas e assassinadas umas centenas de pessoas de uma minoria... muçulmana. E por muito pouco que se saiba em detalhe, há declaradamente um conflito cultural, sendo que as vitimas são... muçulmanas.

Esta opressão chinesa será “culturalmente” mais tolerável do que as caricaturas dinamarquesas?

10 julho 2009

Quando a mamã voltar...


Aquele coitado, que a luz da tarde avançada mal deixa ver, ficou tresmalhado de uma ninhada que passou clandestina pelo meu jardim. Por falsa manobra dele ou por simples azar, não partiu com o resto dos irmãos. Ficou trancado nos meus arrumos durante 3 dias sem comer nem beber. Quando ouvi o miar ontem à noite e o libertei, desapareceu, ignorando a comida que lhe ofereci.

Durante toda a noite miou chamando pela mãe. Hoje de manhã estava encostado a um canto com aspecto de não se mexer mais. Poucos seres têm tanta dignidade, mesmo e especialmente antes de morrerem, como os gatos.

Agora, à tarde, tinha tomado o leite que lhe deixei e já se mexia, escondendo-se de mim. À entrada da noite apanhei-o no limite da luz. Já quase não tem voz para miar mas insiste e continua fixamente olhando para todo o lado, esperando que a mamã há-de chegar.