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19 outubro 2015

Por uma vez

O cenário atual na Síria é extraordinariamente confuso. Temos 4 fações principais no terreno (regime, Estado Islâmico, Curdos e outros rebeldes) e 5 frentes de influência externa (Turquia, Rússia, Irão, Monarquias do Golfo e Ocidente), sem estes atores estarem até agora claramente agregados (por simplificação, até nem separo Ocidente em EUA e Europa…).

A intervenção direta musculada da Rússia veio trazer mais bombas e mais mortes, certamente. Veio também baralhar a visão do conflito para aqueles que gostam de ver as coisas simplificadas, perdoando ou condenando os USA ou a Rússia, conforme a sua simpatia, mas acaba por forçar uma clarificação do que cada um quer mesmo ver no final, resultando dois blocos.

A Rússia e o Irão querem o regime atual e combatem o Estado Islâmico e os outros rebeldes; o Ocidente, Golfo e Turquia querem os outros rebeldes e combatem o Estado Islâmico e o regime.

Independentemente do vencedor final, provavelmente o Estado Islâmico recuará até ao Iraque, que continuará o caos que conhecemos desde há 12 anos, e os curdos poderão ter o mesmo destino de outros levantamentos. Vêm à luta com empenho e valor e, no fim, recuam escorraçados…

Como os outros rebeldes são Al-Qaedas e afins, tenho muitas dúvidas se uma Síria por eles “governada” venha a ser muito diferente da atual Líbia. Com todos os defeitos do regime de Bashar Al Assad é preferível deixá-lo a governar e ir pressionando a mudança do que desestruturar o/outro país.

26 dezembro 2012

O desafio da mudança

Para lá das diversas teorias da gestão empresarial sobre segmentação de negócios, eu acredito que há uma segmentação fundamental inicial e que divide as empresas em dois grupos: aquelas que no fim da cadeia de valor têm um consumidor e as outras que no final têm directa ou indirectamente um contribuinte. As primeiras têm por prioridade a competência, a excelência e a inovação, que as façam distinguir e sobreviver na selva de concorrência. As segundas têm a chave do sucesso no relacionamento, nas fidelidades e na, chamemos-lhe, gestão da informação.

Com a travagem brutal do investimento público em Portugal, a muitas empresas coloca-se um desafio duplo. Necessitam de encontrar novos negócios e, no caso provável de esse novo negócio ter um sistema de valores diferente, terão que se reestruturar em organização e em cultura para terem sucesso nesse novo contexto. Em muitos casos será muito mais difícil do que simplesmente obter encomendas.

25 junho 2011

As primaveras árabes em curso

Dizem por ai muitos opinadores e comentadores que a “Democracia” está a chegar ao mundo árabe, que isso é fantástico e acrescentam outras teorias e baboseiras. Ora bem, eu sobre os árabes mesmo lá do Médio Oriente sei pouco, mas sobre o norte de África posso acrescentar algo. Dentro de toda a gente que mexe ou faz mexer actualmente aquela parte do mundo, identifico 4 grupos. Não necessariamente rigidamente estanques e homogéneos, mas dentro da simplificação esta divisão já é suficiente para não concluir assim rapidamente que não há “um” povo a sair à rua.

Grupo 1 – A alternativa. Aqueles que de uma forma ou de outra e com motivações distintas aspiram subir ao poder. Considerando um acesso pela via da democracia, será necessário que cheguem a uma boa camada da população. E aqui surge o primeiro problema: na maior parte desses regimes os partidos do poder podem ser um ou vários mas de nenhuma forma são projectos de mudança. Os outros, que serão mesmo de oposição, quando existem, estão desgastados numa imagem envelhecida de “pregadores do deserto” e sem conseguirem uma afirmação credível que mobilize uma larga fatia do eleitorado. Os únicos que conseguem apresentar um projecto que pode alcançar e convencer uma boa parte da população, são os de base religiosa. Aqui convém confirmar se estes se manterão democratas mesmo após subirem ao poder ou se uma vez lá e como representantes de um poder divino inquestionável trancarão as portas a qualquer outra posterior mudança.

Grupo 2 – Os esclarecidos, que querem viver num país melhor, mais justo, mais desenvolvido, que premeie o mérito, em que o poder preste contas a sério e que acreditam que a democracia é o caminho para lá chegar. Alguns desta base já emigraram e os que ainda lá estão e são mesmo esclarecidos vêm com bastante apreensão o panorama do grupo 1.

Grupo 3 - Os pobres, aqueles que simplesmente querem ter uma vida melhor. Se para viver como na Europa em que há democracia, o caminho é a democracia, eles serão democratas; se os convencerem de que essa melhoria passa pela x_cracia, eles serão x_cratas. Não estão necessariamente preocupados com a justiça na distribuição da riqueza, o mais importante é que o caminho da riqueza passe por eles. Em caso de democracia, mesmo democracia, provavelmente será da escolha deste grupo que sairá o novo poder.

Grupo 4 – Os vândalos que aproveitam a desestabilização para sair à rua e quebrar e queimar, sem uma preocupação construtiva. Destroem por instintos de maus fígados ou/e por vontade de primária de demonstrar que existem e que esta é a sua forma de afirmação.

Do peso de cada um destes grupos e da sua interacção com a realidade sócio, económica, histórico e política de cada país, nascerá uma realidade diferente e perspectivas diversas de mudança. Veremos isso a seguir.

10 junho 2010

Grande Máquina!


A morte súbita de um telemóvel longe de casa fez-me pedir que me comprassem localmente um básico, do mais barato que houvesse. E lá recebi um magnifico Nokia como o da foto documenta, por cerca de 20 euros. Não tem máquina fotográfica, não mostra imagens a cores, não dá música, obviamente não navega na net e não faz portanto muitas coisas giras desse género.

Mas é uma grande máquina! Serve perfeitamente para telefonar e tem uma coisa espantosa: quase me esqueço de que preciso de o carregar, ao contrário do outro mais catita que tem grande visor colorido mas que não perdoa e cuja bateria me deixa ficar mal com uma facilidade tremenda.

É que ao fim e ao cabo um telemóvel serve para fazer chamadas e a autonomia até é uma característica importante, não é?

23 maio 2010

Baratas e estilos

Quando se entra num compartimento que pode ter baratas daquelas que se passeiam apenas no escuro e se escondem da luz, há uma opção a tomar entre três atitudes:
  • Ou acender a luz já preparado para atacar rapidamente, antes que elas tenham tempo de fugirem da luz e desaparecerem da vista...
  • Ou acender a luz e olhar para o tecto, assobiando ou não, dando tempo às ditas cujas de se esconderem e quem não vê pode fazer de conta que não sabe...
  • Ou acender a luz e ficar parado na soleira vendo-as fugirem sem ter tempo e oportunidade de as liquidar, ficando a saber que elas lá estão e que quando se apagar a luz regressarão à arena principal.
E, a cada um o seu estilo, naturalmente...

03 fevereiro 2006

Conhecimento e realização

Para repetir o que vem nos livros, basta ter boa memória.
Para entender verdadeiramente o que está escrito, é necessário algo mais.
Para avaliar a sua aplicação a cada caso específico, é necessário algo mais.
Para definir o que fazer concretamente... algo mais.
Para implementar o definido e levá-lo até ao fim.. algo mais.
Para conclui-lo com sucesso… algo mais.

Donde que … quem se limita a repetir o que vem nos livros, está longe, muito longe…