Mostrar mensagens com a etiqueta Médio Oriente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Médio Oriente. Mostrar todas as mensagens

26 dezembro 2017

Uma selfie que apela à morte?


Estas duas belas jovens, que quase parecem irmãs, Adar à esquerda e Idan à direita, tiraram uma selfie e, como é prática corrente, a foto foi publicada nas chamadas redes sociais, coisa suficiente para provocar sérias ameaças de morte, quem diria!

Passou-se no concurso “Miss Universo” e o grave problema veio do facto de Adar ser representante de Israel e Idan do Iraque, dois países que, como todos sabem, não se entendem. Só que os países, mesmo esses, são feitos de pessoas que, num mundo não tribal, não precisam de se odiarem automaticamente, muito pelo contrário. Elas estariam conscientes do terreno que pisavam e Idan ilustrou a foto com a frase “Paz e Amor de Miss Iraque e Miss Israel”.

Não correu bem. Poucos dias depois, a organização do seu país exigiu-lhe retirar a publicação, sob pena de perder o título. Na tempestade seguinte, ela e a sua família, estas coisas da tribo, foram ameaçadas de morte, decidindo estes sair do país. As autoridades iraquianas, dubiamente, acharam por melhor não tornar pública nenhuma posição.

Eu acredito que o desanuviamento eficaz e consolidável vem muito mais das pessoas conhecerem pessoas do outro lado, como elas, do que de resoluções internacionais ou esforços diplomáticos. Virá muito mais de quando (esperemos que não tão cedo) as forças armadas do país de Adar, atacarem o país de Idan, Adar saber que do lado de lá não está gente inimiga indiscriminada, mas também a sua amiga Idan e certamente outras tantas assim.

A humanização como forma de amaciar os conflitos, lembra-me a história das tréguas no Natal de 1914, quando os homens dos dois lados das trincheiras suspenderam a barbaridade para confraternizarem e jogaram futebol. O episódio não foi apreciado, obviamente, pelos altos comandos respetivos, sem distinção, que arranjaram forma de evitar a repetição de uma tal anormalidade. É mais fácil matar gente sem rosto e a intensidade da guerra depende exatamente dessa capacidade de não humanizar o inimigo. É esse o objetivo dos senhores da guerra e Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade.

30 outubro 2017

Revolucionários ou revoltados, mas profissionais


A cara na capa deste livro é de Ilich Ramírez Sánchez, venezuelano apesar do primeiro nome. Ficou mais conhecido por Carlos, o Chacal, e foi o terror público número um, principalmente em França, nas décadas de 70 e de 80. Sim, nessa altura havia terrorismo, com bombas a explodir em locais públicos e, muito na moda da época, desvios de aviões e outros sequestros. Esta história ajuda a compreender o que por cá acontece e tem acontecido. Aqui vão alguns sublinhados meus, após leitura.

Não era proletário nem operário. Pelo contrário, a larga maioria dos terroristas ocidentais da altura eram da alta burguesia. Chega até a referir um caso, por excecional, de uma camarada originária de um nível social mais baixo.

Queria fazer a revolução. Na Venezuela, não deu jeito, em França também não foi possível, em Moscovo já tinha sido e… onde sobrou uma causa para lutar: Palestina. Se não houvesse Palestina, quais seriam as causas a abraçar pelos Chacais? Algum paralelismo com as mais recentes partidas para a Síria?

Começa por aspirar a ser revolucionário e depois passa a mercenário (revolucionário profissional), ou seja, organiza atentados e sequestros para quem lhe paga. No entanto, o auge da sua atividade ocorre quando França prende Magdalena Kopp, sua companheira de armas e ele usa o terrorismo… para exigir a libertação da amada.

Uma referência ao pacto Moro. Itália fechava os olhos ao transito e atividades dos terroristas (pró)palestianos pelo seu território, com a condição de estes irem fazer os estragos para outro lado. Edificante e muito próprio de um regime democrata-cristão. A coisa não acabou bem para Aldo Moro, raptado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas, prova de que isto de tolerar terroristas pode não se saudável.

Dentro do Médio Oriente, estendido até à Argélia, que lhe estende o tapete vermelho durante o sequestro dos ministros da Opep, vemos uma enorme volatilidade nos acordos, desacordos, pactos e traições entre os vários líderes. Não ajuda muito a suposta base comum “árabe”, nem parece ser determinante existir um inimigo claro e comum, Israel. Fico a pensar que, mesmo sem Israel, dificilmente se veria (e se vê) paz e cooperação por aqueles lados, dada a falta de confiança mútua, ausência de compromissos estáveis e outras carências…

19 outubro 2015

Por uma vez

O cenário atual na Síria é extraordinariamente confuso. Temos 4 fações principais no terreno (regime, Estado Islâmico, Curdos e outros rebeldes) e 5 frentes de influência externa (Turquia, Rússia, Irão, Monarquias do Golfo e Ocidente), sem estes atores estarem até agora claramente agregados (por simplificação, até nem separo Ocidente em EUA e Europa…).

A intervenção direta musculada da Rússia veio trazer mais bombas e mais mortes, certamente. Veio também baralhar a visão do conflito para aqueles que gostam de ver as coisas simplificadas, perdoando ou condenando os USA ou a Rússia, conforme a sua simpatia, mas acaba por forçar uma clarificação do que cada um quer mesmo ver no final, resultando dois blocos.

A Rússia e o Irão querem o regime atual e combatem o Estado Islâmico e os outros rebeldes; o Ocidente, Golfo e Turquia querem os outros rebeldes e combatem o Estado Islâmico e o regime.

Independentemente do vencedor final, provavelmente o Estado Islâmico recuará até ao Iraque, que continuará o caos que conhecemos desde há 12 anos, e os curdos poderão ter o mesmo destino de outros levantamentos. Vêm à luta com empenho e valor e, no fim, recuam escorraçados…

Como os outros rebeldes são Al-Qaedas e afins, tenho muitas dúvidas se uma Síria por eles “governada” venha a ser muito diferente da atual Líbia. Com todos os defeitos do regime de Bashar Al Assad é preferível deixá-lo a governar e ir pressionando a mudança do que desestruturar o/outro país.

11 janeiro 2008

Kind of too late, Mr Bush, no?!



É um pouco patético ouvir agora este presidente dos EUA dizer, em visita de puxar brilho a fim de mandato, que quer ver um acordo de paz concluído entre Israel e os palestinianos antes de deixar a Casa Branca.
Sim, é um desejo bonito, mas.... onde estava essa vontade no passado e em especial no seu primeiro mandato, quando ria todo contente e arrogante ao lado de Rumsfeld e Cias, enquanto Colin Powell andava por aqueles lados completamente desapoiado, tentando dar um mínimo de continuidade ao trabalho desenvolvido pela administração Clinton?


Foto do site do “El País”