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21 janeiro 2021

Coisas de Mouros e Mouras


Já por aqui referi as duas visões simplificadas da presença e herança muçulmana por estes lados. Um destes dias resolvi espreitar o que se diz sobre o tema em terras irmãs. Encontrei algumas semelhanças. Na forma como os reinos cristãos procuram uma afirmação hegemónica cultural menorizando essa herança nos atos e na narrativa histórica e também na forma como caçadores do exótico, hipnotizados pela diferença perdida vêm herança mesmo onde ela nunca existiu.

E encontrei duas Espanhas. Um na zona onde a permanência foi longa e após a reconquista persistiram comunidades muçulmanas. Comunidades não integradas e supostamente colaborantes com os piratas mouros do norte de África que saqueavam e capturavam escravos na costa levantina. O facto de Granada ter ficado muçulmana ainda dois séculos após a reconquista principal, contará bastante para a persistência dessas comunidades, a sua visibilidade e conflitualidade. Chegou a ser decretada em 1609 uma ordem de expulsão formal dos mouriscos de Espanha, que se encontravam principalmente no Sudeste, especialmente por Valencia e Aragão.

Depois, há a outra Espanha, onde os muçulmanos foram efetivamente mais uma passagem do que uma presença, especialmente na Galiza. Aí mouros e mouras são um elemento fantástico, não necessariamente de carne e osso. Vivem em poços, fontes, enterrados na terra e, mais do que pelas espadas e adagas, se receiam pelos encantamentos e fenómenos sobrenaturais. Coisas estranhas e inexplicáveis são candidatas a “coisas de mouros”, muitas vezes refletidas na toponímia.

Em Portugal encontra-se certamente o equivalente desta visão galega, mas muito menos a outra. Não sendo especialista, não me recordo de ver referencias a relatos de tensões e rebeliões envolvendo comunidades muçulmanas pós-reconquista, muito menos no século XVII. Porquê? Certamente o além do Tejo, onde a presença foi mais longa, teria uma dinâmica e importância (e demografia?) incomparavelmente menores do que a costa levantina e isso conte para alguma coisa… tema a seguir

22 fevereiro 2016

Voar de Vigo


Deu direito a muita polémica e até a incidente diplomático entre tripeiros e galegos (autarcas) a TAP anunciar a ligação Vigo-Lisboa, algo que supostamente ia colocar o aeroporto do Porto a ver passar os galegos a voar.

Ora bem, segundo entendi só de Vigo para Madrid existem 4 a 5 voos diários da Ibéria e 4 da Air Europe. Ou seja, aparentemente, os galegos utilizadores do aeroporto do Porto não aderem a essas ligações. Acrescentando agora mais um ou dois voos a Lisboa, que diferença fará na prática? Um galego que queira voar para um hub e daí seguir viagem, que vantagens terá em ir a Lisboa, face a Madrid ou outras alternativas como Barcelona, já existentes?

Não haverá aqui alguma precipitação?

04 junho 2012

Tudo aqui tão perto

1- E a Espanha aqui tão perto - O que era impensável passou a ser provável – a Espanha pedir um resgate. Só que a acontecer será diferente, diz-se. Poderá ser uma ajuda directa à banca para não ficar o governo tutelado pela famosa troika. Que raio, porquê para eles e não para a Irlanda que tinha uma situação à partida tão idêntica? E se o Sr Hollande implementar as suas ideias voluntariosas e a França ficar enrascada, alguém está a ver uma troika com o FMI a entrar em França? Claro que não; o De Gaulle até ressuscitava com a raiva! Certamente que haverá outro modelo de ajuda. E isto é um dos problemas desta Europa – vai à toa arremendando soluções em função de cada caso concreto.
2 – E a Galiza aqui tão perto – Diziam-me lá este fim-de-semana que o sofrer a crise em Portugal será menos traumático do que em Espanha, porque Portugal no fundo nunca interiorizou a “nova riqueza” de uma forma tão assumida como Espanha. Ou seja, resignamo-nos mais facilmente a reencontrar as dificuldades. Será?
3 - E o Mali aqui tão perto – O norte do Mali decretou “independência”, num novo estado, islâmico a mais não poder ser, conquistado e controlado pelo Al Qaeda com as armas que sobraram da overdose bélica que choveu na Líbia nos últimos tempos. Novo Afeganistão à vista…. E aqui tão perto
4 – E o Afeganistão aqui tão perto – Multiplicam-se os casos que pareçam não deixar dúvidas sobre os autores e as intenções. Os alunos nas escolas sofrem intoxicações mais ou menos graves, por lá serem ensinadas coisas inadequadas e, sobretudo, por ensinarem raparigas que não têm nada que andar na escola. Os Américas e Cia vão desistir e abandonar o país.
5 – E a nova Primavera na Tunísia – Ghazi e Jabeur – dois jovens líbios de 28 anos diplomados e desempregados, enraivecidos e desesperados cometeram o crime que publicaram no facebook caricaturas obscenas do profeta e de se declararam ateus. Ambos julgados e condenados a 7 anos e meio de prisão efectiva. O primeiro fugiu, o segundo pode ter ainda mais problemas porque o Procurador recorreu da sentença e pede perpetuidade.