23 junho 2026

Acabar com os ricos

Há uma clivagem importante nas visões quanto à forma de corrigir as injustiças sociais. Há quem julgue fundamental acabar com os ricos e há quem dê prioridade a acabar com os pobres. Excluindo os que ficaram ricos com processos ilegais, objeto de remédios de outra natureza, na minha opinião, as políticas sociais deverão focar-se efetivamente em retirar pessoas da situação de pobreza.

Fará sentido existirem 13 prestações sociais não contributivas? Os potenciais beneficiários terão sempre uma visão esclarecida e eficaz daquilo a que têm direito, dentro desse labirinto? Parece-me fazer sentido uma simplificação e talvez fosse prioritário discutir os moldes e detalhes em vez de defender imobilismos.

Faz sentido que esses beneficiários sejam obrigados a, dentro do razoável, retribuírem à sociedade um pouco da ajuda que recebem? Faz e também faz sentido manter alguma atividade em prol da estabilidade emocional e potencial de reinserção no mercado de trabalho. O objetivo devia ser retirar pessoas dessa situação, não por castigo, mas por valorização. Defender imobilismos sociais nestes contextos não é remédio para nada.

Faz sentido haver mecanismos de combate a fraudes e abusos? Evidentemente que faz e canais de denúncia alimentados por cidadãos não são coisa rara por essa Europa fora, mesmo em países que não experimentaram no passado uma cultura de bufos.

É importante defender e ajudar quem disso necessita, mas a maior ajuda é retirá-los dessa necessidade para reencontrarem autonomia e dignidade. Fazer esta missão refém de politiquices não é serviço à causa social fundamental.

 

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