Há uma clivagem importante nas visões quanto à forma de
corrigir as injustiças sociais. Há quem julgue fundamental acabar com os ricos
e há quem dê prioridade a acabar com os pobres. Excluindo os que ficaram ricos
com processos ilegais, objeto de remédios de outra natureza, na minha opinião,
as políticas sociais deverão focar-se efetivamente em retirar pessoas da
situação de pobreza.
Fará sentido existirem 13 prestações sociais não
contributivas? Os potenciais beneficiários terão sempre uma visão esclarecida e
eficaz daquilo a que têm direito, dentro desse labirinto? Parece-me fazer
sentido uma simplificação e talvez fosse prioritário discutir os moldes e
detalhes em vez de defender imobilismos.
Faz sentido que esses beneficiários sejam obrigados a,
dentro do razoável, retribuírem à sociedade um pouco da ajuda que recebem? Faz
e também faz sentido manter alguma atividade em prol da estabilidade emocional
e potencial de reinserção no mercado de trabalho. O objetivo devia ser retirar
pessoas dessa situação, não por castigo, mas por valorização. Defender
imobilismos sociais nestes contextos não é remédio para nada.
Faz sentido haver mecanismos de combate a fraudes e abusos?
Evidentemente que faz e canais de denúncia alimentados por cidadãos não são
coisa rara por essa Europa fora, mesmo em países que não experimentaram no
passado uma cultura de bufos.
É importante defender e ajudar quem disso necessita, mas a
maior ajuda é retirá-los dessa necessidade para reencontrarem autonomia e
dignidade. Fazer esta missão refém de politiquices não é serviço à causa social
fundamental.

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