06 junho 2026

Os refugiados eternos

No processo de Independência das colónias portugueses de África, cerca de 500 mil portugueses regressarem à metrópole. Ficaram conhecidos por “retornados”. Foi criado um organismo designado IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais) para apoiar esses refugiados à chegada, já que nem todos viriam com diamantes cosidos nas bainhas das calças.

Independente das justiças e injustiças ocorridas na gestão desse processo e se a duração foi curta ou excessiva, em 1975 era consensual a necessidade de um mecanismo de apoio. Se hoje ainda houvesse netos de retornados a viverem em tendas, em campos de campismo, subsidiados por um ainda existente IARN, isso já seria muito difícil de entender e justificar.

A eternização de gerações de refugiados por longas décadas é obviamente um absurdo, fruto de uma lógica onde esses seres humanos são ferramentas e vítimas de uma agenda que não é a dos seus interesses humanos. Existem dois bons exemplos dessas situações atualmente. A famosa dos palestinianos, que dura desde a independência de Israel de1948, onde alguns já estarão para lá de netos… A outra, menos conhecida, é a dos Saarauis, “refugiados” ainda presos em Tindouf, na Argélia desde 1975, data da invasão do Saara Ocidental por Marrocos. Não há aqui espaço para desenvolver os comos e porquês destes absurdos, apenas referir que algumas razões haverá para esta pobre gente viver miseravelmente e após tanto tempo ainda não estar de alguma forma integrada.

 

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