10 junho 2026

A nossa Pátria


Ouvi recentemente uma figura das artes brasileiras argumentar que, após estudar e aprender várias línguas latinas, descobriu a sua língua, o brasileiro, supostamente suficientemente distinto do português para dever ser considerado uma língua autónoma. Quando esperava algum desenvolvimento e exemplos concretos dessa diferença, argumentou que as pessoas no Brasil sentiam orgulho em falar em música brasileira e outros campos onde se usasse o mesmo adjetivo, mas referir a sua língua como português, não agradava a muita gente.

Sendo assim, parece que se trata de mudar a capa da gramática, ficando o povo feliz, liberto dessa ligação ao antigo colonizador, que, aparentemente, ao dar independência ao país, terá lançado uma feitiçaria poderosa que dois séculos depois ainda limita o desenvolvimento do país.

Eduardo Agualusa veio mais recentemente tocar na mesma tecla, sugerindo o a mudança do nome do idioma para “língua geral”, expressão usada há vários séculos para as línguas mestiças utilizadas no Brasil. Parece tratar-se de um objetivo cosmético de apagar a assinatura da “supremacia cultural europeia”, colonizadora e maligna.

Como dizia Fernando Pessoa, “A minha Pátria é a língua portuguesa” e esse património é rico. No dia de Camões em que, mais do que Portugal, se celebra um dos maiores expoentes da língua portuguesa, o dia deveria ser de festa para todos aqueles que devem uma boa parte da sua herança cultural ao genial poeta.

Se há quem tenha problemas e angústias em assumir esse legado, incluindo eventualmente o senhor Aguageral, que tentem resolver o seu problema de alguma forma, mas sem fazer figuras ridículas.

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