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17 setembro 2026

Narcos


Muitos terão visto aquelas produções, meio históricas, meio romanceadas, sobre a vida e obra dos narcotraficantes da Colômbia ou do México. É extremamente chocante o nível de violência, opulência, falência das instituições e, sobretudo, desumanidade.

Essas coisas passavam-se muito longe, do outro lado do Atlântico, geográfica e culturalmente demasiado afastadas para as imaginarmos parte do nosso quotidiano.

Por cá vemos principalmente noticias de apreensões e escaramuças com as assombrosas lanchas rápidas dos traficantes. Apenas isso? Não.

Em cidades como Marselha e Bruxelas soam pistolas metralhadores e corpos jazem no solo em poças de sangue, consequência de ajustes de contas e disputas territoriais associadas ao tráfego de droga. Na capital belga não é um problema das periferias degradadas; é mesmo no centro da cidade que as armas falam.

Recolhi a imagem acima de uma reportagem do El País sobre Marselha. Trata-se de um “drive-truh” de droga com clara indicação dos produtos – e aproveitam porque há promoção!

Dizer que o dinheiro compra tudo pode não ser absoluto, mas muito dinheiro compra muita coisa e ao dinheiro “ilimitado” quase nada resiste, seja pela convicção, seja pela coação.

Penso que esta guerra contra os narcotraficantes não tem vitória para as forças da lei. Especialmente enquanto continuar a existir gente rica e gira pagando e sugando cocaína, achando isso “cool”, financiando alegremente estas redes criminosas. Com tantos recursos financeiros disponíveis, os narcos encontrarão sempre buraco por onde furar e chegar aos seus clientes, deixando pelo caminho as vítimas e os cadáveres que for necessário.

Podem-se encontrar fortes semelhanças com a lei seca de há um século atrás, sabemos como foi e como terminou. Não estará na altura de aplicar remédio análogo?

Pode parecer chocante e perigoso para a saúde pública liberalizar a cocaína, mas talvez seja a única forma de secar e apagar uma rede brutal que brutaliza uma boa parte do universo. Provavelmente um mal menor.

O travão policial já demonstrou a sua ineficácia e, repito, recordemo-nos da lei seca.