Durante a invasão do Iraque em 2003, Mohammed Saeed
al-Sahhaf, na altura Ministro da Informação de Saddam Hussein, ficou famoso por
relatar na televisão evoluções da guerra que só ele via, conforme os seus
desejos e completamente opostas à realidade em curso. Uma das alcunhas irónicas
que recebeu foi Comical Ali.
Por estes lidos temos ouvido outro cómico falar de conversações
de paz, mudanças de regime no Irão e outros “factos” que também apenas ele
“vê”. Tem algum paralelo.
É difícil não concordar com a necessidade de impedir o
acesso do Irão à bomba atómica, seria salutar uma mudança de regime (para
melhor) e silenciar os terroristas do Hezbollah e outros afilhados… No entanto,
antes de mexer num vespeiro, convém tomar as necessárias precauções. Uma delas,
seria, por exemplo, garantir a segurança do estreito do Ormuz, que está em via
de se tornar uma das portagens mais caras do mundo!
Um regime como o iraniano não cai apenas por lhe decapitar
algumas lideranças, mas Trump parece ter entrado numa fase de arrogância e
prepotência que exclui toda e qualquer opinião diferente da sua, o que costuma
dar asneira.
Esta guerra, a
continuar assim, não vai terminar rapidamente e a desproporção de custos entre
um drone e o missel que o intercepta é tal, que o tempo corre a favor do Irão. Também
não será com bombardeamentos contínuos e com ameaças boçais e brutais contra
toda a população que ela receberá estes “salvadores” de braços abertos.
Se o objetivo era ter em Teerão um regime mais tolerante e comprometido com uma certa ordem internacional, talvez tivesse sido boa ideia não ter cortado as pontes em 2018, quando o mesmo Trump decidiu matar o acordo, bom ou mau, mas um acordo, em curso.

1 comentário:
Bom-dia. Espero que os tempos Pascais tem sido bons. Sobre este assunto ,no minimo quem vai ao mar prepara-se em terra. Abraço
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