04 abril 2026

As Constituições


Estamos a celebrar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa de 1976, tratada como se fosse “A Constituição”. Não é bem assim. Para começar, todo o processo da sua redação foi extremamente delicado e condicionado pela tutela militar e por forças minoritárias, não democráticas. Foi um exercício de equilíbrio delicado e resultou num texto que, apesar de vários pontos notáveis e positivos, não agradava completamente a ninguém. Teve o mérito de ter sido concluído e apontar um caminho.

Apenas com a revisão de 1982 foi consolidado o regime democrático e plural, entre outras medidas com a extinção do Conselho da Revolução e liberalização da economia. Felizmente ficou irreversível, apesar de todo a deceção da esquerda comunista.

Permanece no preâmbulo, é certo, a missão de “abrir caminho para uma sociedade socialista”, felizmente mais como curiosidade caricatural do que como letra de lei. Se assim não fosse, teríamos o TC a vetar todas as medidas legislativas que não fossem no sentido de caminhar para o socialismo!

Apesar disto, a revisão constitucional (e exatamente de quê) é uma necessidade do regime? É ela que nos impede de ver o país a funcionar eficazmente e com prosperidade? Penso que não. Há muitas oportunidades de melhoria nas atitudes e nas ações de quem nos governa largamente prioritárias. Discutir uma revisão agora é manobra de diversão… e há quem goste.